encontrei esse texto na internet, portanto, ele não é meu. o seu autor é anônimo. assim como as demais personagens.
Eu tinha quinze anos na época e brigava com minha mãe constantemente. Na extrema jorgisse da adolescência e já não tendo a melhor mãe possível nossas brigas já eram quase rotineiras. Entretanto, a briga daquela noite teve algo de mais intensa. Ela me mandou pro quarto chorando e aos berros e eu obedeci extremamente nervoso, cheio de um ódio e de uma frustração que eu vinha guardando já fazia muito tempo. Numa decisão boba e emocional, sem pensar nem dez minutos à frente do que fazia, decidi fugir de casa. Arrumei duas malas com roupas e algumas outras coisas, roubei um dinheiro da bolsa da minha mãe furtivamente, esperei ela ir pro quarto dela e saí sorrateiro, sem plano nenhum de onde passaria a noite.
Quando eu saí não deveria ser mais do que oito da noite. Passei uma hora e meia vagando pelo bairro, parei numa padaria qualquer pra comer qualquer besteira, mas finalmente comecei a ficar com medo e a idéia de que eu não tinha para onde ir finalmente começou a batucar na minha cabeça. Teimoso, eu jurei que ao menos aquela noite eu agüentaria com bolas e não voltaria para casa, mas ao mesmo tempo em que tentava aparentar confiança, sentia medo e uma ansiedade quase infantil.
Peguei um ônibus qualquer que me levou até o centro da cidade e de lá fui para uma estação de metrô. Entrei num vagão qualquer que eu nem vi de qual linha era, deixei uma das minhas malas no colo e outra no chão logo nos meus pés e, umas dez da noite, adormeci olhando para os poucos outros passageiros ao meu redor.
Acordei duas da manhã, nervoso e aflito. O metrô ia até as quatro, então eu só tinha mais duas horas para enrolar ali. Encarei o vagão e agora ele estava mais vazio do que nunca: Além de mim tinham só um velho de terno, um bêbado qualquer rindo sozinho e… Uma garota, talvez uns dois anos mais velha do que eu, sentada no banco logo na minha frente e lendo um livrinho de capa verde. Ela tinha cabelos castanhos, olhos de um verde pálido e lábios finos que com covinhas sempre aparentes pareciam sempre prestes a tecer algum deboche sobre o mundo.
Sem ter nada a perder, solitário e assustado, fiquei aliviado por achar alguém que tivesse mais ou menos minha idade e que também fosse tão bonita. Fui um falho que teve medo de garotas a vida toda, mas naquele momento tentar falar com ela foi quase intuitivo e natural. E a reação dela aparentava a mesma casualidade, uma louca naturalidade em conversar com um desconhecido duas da manhã no metrô.